O governo de Rondônia enfrenta um forte desgaste político após a greve da educação, movimento que se estendeu por semanas e expôs a falta de diálogo da gestão com os trabalhadores da rede estadual. Sem encontrar saída política para negociar com a categoria, o governador Marcos Rocha decidiu exonerar uma de suas principais aliadas, a secretária de Educação Ana Pacini, apontada durante todo o período grevista como uma das responsáveis por tentar desmobilizar o movimento.
Pacini foi duramente criticada por lideranças sindicais e servidores, que a acusaram de atuar nos bastidores para pressionar professores emergenciais, ameaçando corte de pontos e promovendo práticas de perseguição e assédio a quem aderisse à paralisação. No Cone Sul, superintendentes regionais de Educação em Vilhena e Cerejeiras também foram alvo de críticas, acusadas de tentar desqualificar o movimento dos trabalhadores.
A ex-secretária teria buscado manter-se à frente da pasta agradando o governador, que resistiu em negociar e, segundo sindicalistas, recorreu a medidas de repressão policial e judicial para tentar encerrar a mobilização. Pacini ainda foi acusada de firmar acordo com sindicatos paralelos para enfraquecer a greve.
A saída de Pacini ocorre em meio à pressão de parlamentares que também sofreram desgaste em suas bases eleitorais pela condução da greve. Segundo fontes, o governo já agiliza a substituição das superintendentes regionais ligadas a deputados que perderam apoio político com a crise, especialmente no Cone Sul, onde o movimento foi mais intenso
Para o comando da Secretaria de Educação, assume a pedagoga Albaniza Batista de Oliveira, ex-conselheira tutelar. A nomeação, no entanto, gerou críticas, já que a nova gestora não possui experiência equivalente ao peso da pasta.
Com a exoneração, analistas políticos avaliam que Ana Pacini teria perdido sua utilidade política para o governo após atuar na tentativa de enfraquecer o movimento grevista, e sua saída é vista como uma tentativa de conter o desgaste que já atinge também o projeto eleitoral de Marcos Rocha, que mira uma candidatura ao Senado em 2026.
