No Cone Sul, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, foi surpreendido na manhã desta sexta-feira (15) por um protesto de trabalhadores da Educação em greve, durante a inauguração da Rodovia do Boi. A mobilização, organizada por dirigentes e servidores da região, expôs o descontentamento da categoria com a falta de avanços nas pautas de valorização profissional.
Para tentar controlar a situação e transmitir uma imagem de normalidade, assessores do governo exigiram que os manifestantes não levantassem as faixas de protesto. A ordem partiu da ex-deputada Jaqueline Cassol, atual assessora do governador e lotada na Casa Civil, mas não foi obedecida, aumentando a tensão no evento. Jaqueline prometeu que o chefe da Casa Civil receberia a presidente do Sintero, professora Dioneida Castoldi.
Surpreendido, o governador decidiu se aproximar dos manifestante e conversar com eles, mantendo a postura de que nada anormal estaria ocorrendo em sua gestão. Ainda posou para uma foto com uma servidora e publicou a imagem em tempo real nas redes sociais, em uma tentativa de suavizar a repercussão negativa do protesto.
Durante o diálogo com a diretora regional do Sintero no Cone Sul, professora Lívia Maria, Marcos Rocha afirmou ter sido “o melhor governador para a educação”. A resposta foi imediatamente contestada pela sindicalista, que lembrou que a categoria está há anos sem valorização, incluindo os dois mandatos do atual chefe do Executivo.
Lívia aproveitou o momento para denunciar as perseguições e o assédio sofridos por trabalhadores em greve na região, solicitando que o governador intervenha diretamente nas ações das superintendentes regionais de Educação de Vilhena e Cerejeiras, acusadas de tentar desmobilizar o movimento e prejudicar servidores.
Ela também reforçou que a proposta apresentada pela secretária estadual de Educação, Ana Pacini, foi considerada “injusta, insuficiente e ridícula” pelos profissionais. A sindicalista cobrou que o próprio governador assuma a mesa de negociação, “saia da bolha criada por seus assessores” e retome o diálogo com a mesma disposição que demonstra em campanhas eleitorais para pedir votos.
Presente ao evento, o chefe da Casa Civil, Elias Resende, chegou a se reunir com os trabalhadores para ouvir as reivindicações, que desde o final de 2024 vêm sendo adiadas pelo governo, por meio da chefe da Seduc, Ana Pacini.
Segundo os dirigentes sindicais, a manifestação foi produtiva para os servidores em greve, uma vez que houve abertura de diálogos com deputados, o governador e o chefe da Casa Civil, resultando até mesmo em uma chamada de vídeo com a presidente do Sintero, Dioneida Castoldi.
No Cone Sul, a greve da Educação segue forte, com adesão expressiva de escolas e apoio de dirigentes sindicais que denunciam a falta de avanço nas negociações. O episódio durante a inauguração da Rodovia do Boi escancarou o clima de tensão entre governo e servidores, que acusam a gestão Marcos Rocha de ignorar as demandas e de tentar desmobilizar o movimento por meio de pressão administrativa e perseguições. Para os trabalhadores, a mobilização continuará até que haja uma proposta concreta que garanta a valorização da categoria.
A greve da Educação em Rondônia teve início no dia 6 de agosto e segue sem acordo entre governo e categoria.
