A greve da educação em Rondônia, iniciada no dia 6 de agosto, continua mobilizando professores e técnicos educacionais em todo o Estado, especialmente no Cone Sul, onde a categoria tem se mostrado cada vez mais unida e determinada. Enquanto os trabalhadores clamam pelo diálogo e pela abertura de negociações diretas com o governador Marcos Rocha (União Brasil), o chefe do Executivo tem adotado uma postura de confronto, recorrendo ao aparato policial e jurídico para tentar intimidar os servidores.
Desde o início da paralisação, Marcos Rocha evita receber a categoria, preferindo delegar o debate a secretários e representantes da Seduc. A ausência de uma mesa de negociação direta é vista pelos grevistas como um desrespeito à educação pública e aos profissionais que a constroem diariamente. Em vez de apresentar propostas concretas, o governo apostou em medidas de pressão, entre elas, ação judicial contra o movimento, que já foi derrotada pela própria Justiça, e o uso de ofícios enviados pelas superintendências às escolas, exigindo o retorno imediato às atividades sob ameaça de corte de ponto — documentos considerados ilegítimos e sem validade jurídica após a recente decisão judicial que reconheceu a legalidade da greve.
No Cone Sul, a categoria protagonizou atos que expuseram ainda mais a falta de disposição do governo em dialogar. Em Corumbiara, durante visita oficial, o governador Marcos Rocha foi recepcionado por manifestantes que cobravam respostas para as reivindicações. No entanto, ao invés de abrir espaço para o debate, preferiu desviar o foco, convidando os trabalhadores para tirar fotos, em uma tentativa de suavizar a situação e transmitir a imagem de que estava sendo bem recebido. A cena gerou revolta, já que os servidores reforçaram que não estavam ali para posar para fotos, mas sim para reivindicar condições dignas de trabalho e valorização profissional.
Situação semelhante ocorreu em Chupinguaia, outro município do Cone Sul, onde o governador novamente se deparou com protestos de educadores em greve. A região, composta por sete municípios, tem sido um dos polos mais mobilizados da paralisação, com atos constantes, assembleias e mobilizações que vêm fortalecendo ainda mais o movimento.
Paralelamente, veículos de comunicação alinhados ao governo e articulistas políticos tentam deslegitimar o movimento grevista. De acordo com os trabalhadores, a estratégia inclui o uso de veículos de aluguel para inflar narrativas e atacar a presidente do Sintero, professora Dioneida Castoldi, além de dar visibilidade a entidades que não possuem legitimidade para representar os servidores públicos. A ofensiva midiática, no entanto, tem surtido efeito contrário, já que a categoria permanece coesa e confiante na condução do sindicato, reafirmando o Sintero como seu legítimo representante.
A decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia, que suspendeu a liminar contra o sindicato e garantiu o direito de representação do Sintero, foi interpretada como uma vitória histórica para os trabalhadores. A partir dela, a mobilização ganhou ainda mais força, com o sindicato orientando os servidores a não se deixarem intimidar por notificações ou ameaças de retorno forçado às atividades.
Enquanto o governo insiste em não negociar, a categoria reforça que suas pautas são legítimas e inegociáveis, passando pela valorização salarial, melhores condições de trabalho e investimentos em uma educação pública de qualidade. O clima entre os grevistas é de resistência e disposição para seguir na luta até que as reivindicações sejam atendidas.
A expectativa agora se volta para a próxima terça-feira, quando uma mesa de negociação deve ocorrer entre o Sintero e o governo, com participação direta da categoria. Até lá, os trabalhadores permanecem mobilizados, em estado de alerta, prontos para mostrar que a força da educação não se intimida com ameaças ou tentativas de silenciamento.
